Fevereiro 03 2009

Este 2º dia foi, sem dúvida, dolorosamente fascinante!

Doeu passar todo aquele tempo agarrada ao telefone, a ouvir as negas das tentativas de obtenção de informações e, num todo caústico, ouvir o meu editor "chefão" a dizer: "tens de ter esta informação, senão os outros conseguem e nós não!".

Hoje foi um dia quase de casos de polícia. Segundo a gíria jornalística, dediquei-me à ronda ou casos do dia. Por três vezes, às 11h/12h, às 15h/16h e às 17h30/18h, tive de telefonar para os bombeiros, PJ, GNR, PSP e Sapadores aqui da zona do Porto, Gaia, Aveiro e afins. Ao segundo telefonema tudo se tornou um pouco automático, num repetitivo: "Bom dia, sou a Vanessa Quitério, do Jornal Público, queria saber se têm alguma ocorrência a registar?". Teve a sua piada, não fosse o atordoante trabalho que tive de fazer ao longo do dia e que quase me levou à angústia de desistir naquele momento de tudo.

De manhã quando cheguei, um pouco tarde até, por volta das 10h40, vi na agenda de redacção que me tinha sido atribuída a tarefa de fazer a tal ronda. Bem, até fiquei entusiasmada já que era a minha primeira tarefa a sério... Mas depois começaram a chegar os takes da Lusa sobre os assaltos ocorridos ontem aqui no Grande Porto, a farmácias, e a detenção de dois suspeitos de assaltos também a farmácias. O meu tormento jornalístico do dia ia começar.... O editor deu-me a indicação que era a explorar a notícia das detenções e dos assaltos no fim do dia anterior. Tinha que descobrir detalhes que enriquecessem o que já tinha sido dito nos outros orgãos de informação e adiantado pela Lusa e pelos outros portais online. Parecia que ia ser fácil mas não foi.

Passei o resto da tarde agarrada ao telefone a tentar sacar informações à GNR e à PSP, na tentativa de descobrir de onde eram os suspeitos, como tinham sido detidos e o modus operandi da coisa. DETALHES - NADA! Alegaram-me sempre que não davam essas informações pois estava tudo sobre investigação e segredo de justiça. Ia desesperando a cada minuto que passava pois sabia que me ia ser exigido um artigo para o dia seguinte.
 

Também por ideia do editor, contactei a Associação de Farmácias Portuguesas, na tentativa de me dizerem que farmácias tinham sido assaltadas.. a ideia era boa, mas também me foi barrada tal informação. Mais uma vez estava a ficar com o artigo em risco, quase a cair na transcrição de um comunicado, coisa que os outros jornais também tinham e que ia ser mais um artigo de agência. Por sorte ou não, numa das rondas, a GNR facultou o nome da rua das farmácias assaltadas e, numa pesquia rápida pelo google lá descobri o contacto. De seguida foi telefonar e confirmar se eram ou não as farmácias perpretadas pelos assaltantes ao fim do dia anterior.
 

E lá consegui falar com alguêm! Dos técnicos presentes nos assaltos, um deles recusou-se a dar-me detalhes; o outro falou-me da situação, do modo como tudo aconteceu e, a meu ver, salvou o meu trabalho da tarde toda.
 

Recolhida a informação, comecei a escrever os 850 caracteres necessários para a coluna que vem amanhã no Local/Porto, na edição cá do norte. Mas atenção, não são totalmente meus: o editor, esse "Eduard Sissor Hands", lá cortou caracteres, limou frases e reformulou o ângulo. Com o meu consentimento, vi ser-me modelado o artigo para aquilo que realmente tinha interesse jornalístico. E, desta forma, percebi que tenho muito ainda a aprender sobre cruzamento de informação, escrita pressionada e ângulo jornalístico.
 

Foi um dia frustrante. Saí da redacção às 20h... Amanhã espera me uma ida a Matosinhos, ainda fazer não sei bem o quê. Que seja o que eles quiserem e o que eu souber fazer da experiência. A ver vamos.

 

 

 

publicado por vanessaquiterio às 22:36

Fevereiro 03 2009


Eis o meu contacto profissional. :P
 

 

Vanessa Alexandra Quitério

vanessa.quiterio@publico.pt

Rua João de Barros, 265, 4150-414, Porto

Tel. 226151000

Fax 226151099

 

 

publicado por vanessaquiterio às 15:08

Fevereiro 03 2009

Houve uma coisa que me foi dita neste dia, pelo sub-director Amílcar Correia e orientador de estágio, que me deixou a pensar:

“ Se quiseres podes ser a estagiária que está todo o dia na secretária, a ver os takes da LUSA, ninguêm te chateia e não chateias ninguêm. Mas, se quiseres, podes ser a estagiária que dá propostas, procura fazer notícias e não está à espera que digamos o que fazer ” .

Estas palavras guiar-me-ão certamente durante os próximos três meses. São o reflexo daquilo que esperam de mim e do que poderei fazer para que renda esta oportunidade.

Estou já a ver de ideias, a ver do tal "olhar jornalístico" da realidade. Não posso deixar passar ao lado a grande aposta que foi feita em mim como estudante fresquinha dos ideias da área e acima de tudo como futura profissional.

publicado por vanessaquiterio às 00:20
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Fevereiro 02 2009

Se disser que dormi mal de noite, minto. Por acaso dormi um sono agradável, um pouco encalorado, não pela ansiedade de chegar a de manhã mas porque a residência onde vivo tem aquecimento central e só me lembra uma sauna comunitária.
Bem, como dizia, dormi calmamente. Acordei pelas sete 07h, tomei o meu banho, comi a refeição da manhã e apanhei o autocarro que me leva directamenta à rua do Jornal Público. Aqui da Avenida Rodrigues de Freitas até à Rua João de Barros demoro cerca de 40 minutos. A viagem é agradável, dentro dos possíveis.
 

O dia começou da melhor forma: cheguei ao local do estágio uma hora antes; para não parecer parola em chegar tão antes da hora, decidi comprar o jornal e ir tomar o café da praxe. Sentei-me num café ao lado do jornal, relaxei e, durante aquela hora não senti ansiedade. Simplesmente estava a ler as notícias do dia, a tomar o meu primeiro banho informativo da nova era que inaugurei hoje: a era do toque profissional da máquina notíciosa; assim parece soar bem a realidade animalesca que é o jornalismo de hoje em dia.

Às 10h em ponto apresentei-me na redacção. Dirigi-me à recepção, disse da minha condição de estagiária e, num ápice, já era tratada por todos como “a nova estagiária”. Ao entrar naquele open space que é a redacção do Público/Porto senti que estava a entrar na selva, figuramente falando. De um lado e outro só se viam pilhas de jornais. Na esquerda e na direita as editorias ganhavam forma pela arrumação quase simétrica de mesa para cada quatro; numa lógica quase caótica, não se aparentava haver hierarquias daquelas que assombram quem ali trabalha. Nessa mesma lógica informal foram chegando pela manhã os redactores/editores do jornal e, nessa maneira ainda desconhecida, fui sendo então apresentada a quem chegava.

Foi-me dado um espaço. O espaço que será o meu refúgio naquele open space rodeado de conhecimento e furor. Mesmo ao lado da equipa de design/paginação, começo a pensar que o local até pode vir a ser um bom refúgio. Parecem animados os gurus da paginação. Sorte a deles é que começam a trabalhar mais pelas três da tarde... que inveja.

                                                                                   ***


A ansiedade, aquela que não senti de manhã, apareceu-me ao início da tarde. Depois de ir percebendo um pouco a mecânica de funcionamento da redacção, apercebi-me que posso a vir a ter dificuldades em preencher as espectativas e corresponder ao esperado. 
 

A decisão de ficar no Local/Porto era a mais esperada e o que costuma acontecer aos estagiários que chegam. Começamos pelo que supostamente é mais fácil, que dá mais manobra para nos habituarmos ao dia-a-dia da ronda jornalística, do habitué de falar com as gentes da cidade, obter informações das fontes primárias e secundárias do que vai sendo notícia no Porto. Para mim até que não houve problema em aceitar; se é o que querem de mim, é nisso que vou tentar ser boa.

 

publicado por vanessaquiterio às 23:54
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Fevereiro 02 2009


Começar é que custa sempre. Em tudo ou quase tudo, o início é que se torna doloroso. Nestas cirucstâncias, dar início ao contacto com o mundo do jornalismo foi, e está a ser , uma descoberta dolorosa onde a ansiedade pulvilha o desejo de vir a preencher um lugar no posto hipotético do “vou poder ser a voz do mundo”.

Entrar para o Público foi e será uma das mehores coisas que me aconteceu em 2008. Bem no final do último ano muitas foram as novidades e, a nível profissional, novos caminhos se iniciaram. Mais uma vez, o que custou foi ter a iniciativa e fazer os contactos; custou começar a tomar consciência de que é isto mesmo que quero. E HOJE, O 1º DIA DO ESTÁGIO, foi o confirmar de que vai doer um pouco habituar-me a esta mudança inicial.

Começo aqui o contar dos próximos três meses, o relatório do que vou fazendo como estagiário. Os trabalhos, as propostas, os medos e os desejos desta minha primeira experiência como jornalista.

Boas leituras!

 

publicado por vanessaquiterio às 22:36
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